Diário de um Homem de Verão.


 Antes, perdia mais do seu precioso tempo nesta terra tentando consertar as coisas do que chutando o balde. Daí aprendeu que, ao chutar o pau da barraca não lhe doía o pé, tampouco a consciência. Visto por aí como incoerente, deslocado, tresloucado e paradoxal, tecia ele no silêncio reflexo do lento progresso interior, tênue linha a juntar dentro de si, a síntese entre saber, ser e agir.

Seus erros e escolhas equivocadas eram parte do inevitável: o caminho como educador a conduzir sua própria Alma à liberdade. Hoje, sai pra comemorar sua vida até no dia do índio, do bombeiro e do motorista de trio elétrico. Deixou de comer toda sorte de porcarias, inclusive pessoas. Saiu, dançou, pecou, salvou, ascendeu e apagou rastros de passado aflitante; tomou, deu, fez, omitiu e confessou, passando o rapa e o rodo, até então a secar as lágrimas das menininhas, com pretexto claro; depois para as suas próprias quando se via preso em sua prisão, ainda que apontasse aos outros a culpa pelo cárcere interior. Assim, após o cansaço da luta, sua verdade o libertou.

Escreveu a alforria de seus vãos compromissos, na alma. Passava assim, a comer apenas o recheio do bolo, do mesmo jeito que extraia apenas o doce da vida. Celebrando, então, ambos, ao invés de um só: o sagrado e o profano, ao semear sorrisos e prazeres, incitar ideias nobres e desejos sujos, limpando-os todos, com bastante álcool e boemia. Conseguiu por isto, convite em todas as festas, inclusive pras do inferno, destino certo a lhe esperar, segundo alguns. Não se preocupava, gostava do verão. Mas oq se via ao olhar para ele era o FRIO !

Priscyla Poll

Colunista Social, Escritora por amor, Historiadora interrompida, Fotógrafa Intermediária, Jornalista desde sempre, Autêntica, Maluca, Super Sincera. Decepcionando pessoas e Cometendo Erros, te desiludindo nas horas vagas.

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