A (ex) mulher da sua vida.

 

– Por que a gente só descobre que ama depois que pessoa foi embora?

As mulheres conhecem essa história de cor e salteado. Converse com qualquer uma delas e você vai descobrir que o homem bumerangue está na área desde que elas têm 14 anos. O sujeito enjoa do namoro, começa a tratar a moça mal e dá um pé na bunda dela – ou leva, depois de repetidas desatenções. Dias depois, porém, ou mesmo horas depois, lá está o mesmo cidadão ao telefone, transtornado, pedindo para voltar e usando expressões definitivas como “eu te amo”, “não sei viver sem você” e, claro, a melhor de todas, “você é a mulher da minha vida”.

Muitos já fizeram esse papel, mas há muitos que transformam esse comportamento errático em modo de vida. Eles estão sempre apaixonados por uma de duas mulheres – aquela que já foi embora ou aquela que ainda não apareceu. A mulher do agora, com quem ele dorme, viaja e vai ao cinema, essa nunca é tão bacana. Mas, basta ela se cansar do enfado dele e retirar o time de campo para se tornar, instantaneamente, a mulher mais linda e mais desejada do mundo – a (ex) mulher da vida dele.

Escrevo sobre homens porque esse comportamento inquieto parece ser mais comum entre nós, mas as mulheres não estão livres dele. Com o fim das convenções sociais que as obrigavam a serem fiéis e bem comportadas – mulher de um homem só, pela vida toda – elas também começam a agir como Don Juan, o sedutor serial da literatura: olham, querem, seduzem, se decepcionam, começam a sonhar de olhos abertos, terminam o relacionamento, começam tudo de novo. Feito homem. Foram contaminadas pela inquietação do amor perfeito.

Acho que podemos escolher entre viver de forma auto-indulgente, correndo atrás do nosso desejo insaciável, ou negociar com ele. O relacionamento é um espaço negociado. Eu e você decidimos que estaremos aqui dentro, juntos, sabendo que uma parte de nós gostaria de estar lá fora, na pluralidade. Mas, lá fora, você e eu sabemos, há sempre uma vontade enorme de estar aqui dentro. Então ficamos, apertamos os nossos vínculos, e desfrutamos da nossa rica intimidade, nos privando de muitas coisas que gostaríamos de tentar, embora não necessariamente de todas. Se o esforço para ficar aqui dentro tornar-se grande demais, caímos fora. E começamos de novo, com muita dor.

Nós deveríamos ser capazes de escolher e ficar contentes com a pessoa que escolhemos. Ou, se não for esse o caso, ao menos deveríamos estar contentes com o estilo de vida desprendido que adotamos. Tudo aqui e agora. Não adianta ser feliz no ontem, que já passou, ou no amanhã, que talvez nunca venha.

( I.M)

Homem Bumerangue: Ele só não volta quando acerta uma nova vítima. (Jéssica Mendes)

Homem Bumerangue: Ele só não volta quando acerta uma nova vítima.
Priscyla Poll

Colunista Social, Escritora por amor, Historiadora interrompida, Fotógrafa Intermediária, Jornalista desde sempre, Autêntica, Maluca, Super Sincera. Decepcionando pessoas e Cometendo Erros, te desiludindo nas horas vagas.

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