Quem Fotógrafo? O Fotógrafo?

Quem Fotógrafo? O Fotógrafo?

Eu não soube responder, eu nunca soube responder. Sou metade profissional (e olha lá!) e a outro livre, sem aparentes especialidades, incompleto e, claro, quebrado o tempo todo com essa inconstante forma silenciosa de mergulhar na gororoba que é a arte.
Sou limitado em especificações que meu espírito não permite aprofundamento, e parece que por segurança, isso inclui fugir desse mercado sem alma, cheio de especialistas em rasteiras e oportunistas incansáveis, negociadores, espertalhões e não consigo entender como as vibrações desta atmosfera poderiam combinar com a sensibilidade da fotografia, mas o que diria caras como Ariano Suassuna se eventualmente a arte fosse um produto de mercado? Ele não diria coisa alguma porque artista serve mesmo pra dar beleza ao nada e isso quer dizer que estamos o tempo todo lidando com pessoas vazias e divididas entre apenas apreciadores de arte (os que ficam elogiando seu trabalho o tempo todo, mas não compram uma foto sua) e os que respeitam o valor do seu trabalho (esses geralmente falam bem e pagam também) Não! Não é bem assim, amiguinho. Ainda que o mercado fotográfico esteja comendo vivas pessoas e almas, e possibilitando uma infinidade de idéias e futuros promissores e inclusive deixando de lado a importância do sentimento na fotografia que é coisa da tal sensibilidade e unas cositas más, não viria ao caso que conceituar pessoas vazias sem antes olhar-se por dentro é feio e burro. Difícil, mas olhe-se por dentro, exteriorize-se e vai ver quanta merda sai pra que uma coisa boa apenas seja relativamente aceitável no “Maravilhoso Mundo Subjetivo dos Olhares Iguais” e ainda sim é bem provável que se lembrará de ti pela insistência de qualquer preconceitozinho indefinido a seu respeito ou ao seu começo na “profissão”, pois é disso que a massa gosta, de apontar o dedo, apunhalar com o verbo e ferir com belos sorrisos maquiados. O artista precisa pulverizar essa atmosfera e faz uso daquele fator de efeito anestesiante e de barato rápido, que necessita ser produzido em escalas elevadas e distribuído com um belo de um foda-se craqueado no sistema imunológico central (fica ali do lado do Departamento da Importância Alheia Desnecessária) e, que lamento, tem gente que acha que é para “se mostrar”. Falo do belo. Se você conhece ele e não fez nenhuma associação com pagode estás no caminho. E qualquer impressão diferente é certamente maquiagem, mesmo que a digital.
“Vão me chamar de romântico, mas a arte, para mim, é vocação e festa” disse o nome importante ali das primeiras linhas, e digo mais: justificada pelos fins através dos meios termos, aos perrengues, dorme e morre, mas amanhece e sobrevive. Tira-nos o sangue, mas faz a transfusão. Cega, mas desperta para dentro. Captura almas, mas enlouquece a sua própria.

O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
Nelson Rodrigues

Priscyla Poll

Colunista Social, Escritora por amor, Historiadora interrompida, Fotógrafa Intermediária, Jornalista desde sempre, Autêntica, Maluca, Super Sincera. Decepcionando pessoas e Cometendo Erros, te desiludindo nas horas vagas.

Related Posts
Deixe um comentário