Eu Marcel e o meu maravilhoso imaginário fotográfico

Eu Marcel e o meu maravilhoso imaginário fotográfico

Descobri a fotografia muito cedo, não que eu soubesse disso, mas um primo fotógrafo de alguns poucos graus me mostrou mais que uma casa cheia de fotografias que ele mesmo tirava, mas me recordo da associação entre dois filmes que hoje sei que não combinavam muito com minha idade (na época deveria ter menos de 10 anos), mas naquela mesma época, o final dos anos 80, não havia tanta importância com nenhum tipo de saúde, a “lavagem” era completa e irrestrita, o que me faz pensar que as crianças dos anos 80 e começo dos 90 cresceram sob condimentos especiais e as mutações foram diversas. A lista pode ser infinita. Você provavelmente tem algum amigo desta época que não bate bem, tem? Pois é, se você entende o motivo então eu sei a sua idade.

Voltando aos filmes, o primeiro era “Labirinto” (A Magia do Tempo) de 1985 – dirigido por Jim Henson e produzido por Eric Rattray “em conjunção” com George Lucas. Quer mais? E também com o interplanetário de pintura de raio vermelho icônico nos olhos e cabelo de Chitãozinho e Xororó David Bowie (ou pode ser o contrário, tipo Chitãozinho e Xororó com cabelo de David Bowie) e a perfeita da Jennifer Connelly, enfim, esse filme provavelmente explique muito da minha essência imagética e se você assistiu deve ter medo ate hoje da possibilidade se ser infectado pelo Lago do Fedor Eterno, mesmo que subconscientemente, também deve ter tido vontade, pelo menos uma vez, de pulverizar algumas fadinhas por aí na companhia de um anão ou simplesmente fazer amizade com criaturas mais estranhas que seus atuais amigos. O filme é fantasioso e musical, com absurdos inexplicáveis e mensagens subliminares do começo ao fim, mas é lindo na semiótica e imaginação.

O outro filme era “Os Fantasmas se Divertem”, sim, o Beetlejuice, um épico de Tim Burton, mas com altos níveis de estranheza viciante, aposto que quando você estava sozinho ficava com medo de pronunciar “besouro suco” três vezes porque sabia que dava alguma coisa, mas nunca dava nada, merda! O cara não aparecia pra você apresentá-lo pra galera da rua e mostrar a habilidade que ele tinha em comer baratas.
A composição destes filmes, de modo geral, é muito boa, muito além, com certo ocultismo, diria, mas esplêndido no conjunto da obra e acredito que tenha sido o start pra que eu fosse pego pelo gosto à imagens e a fotografia é essa mesma criação de mundos, mas num instante decisivo.

Eram filmes pensados “fora da caixinha” (como muitos da época), mas a estranha impressão de que as caixinhas atuais são menos encantadas (mais fáceis de serem abertas) incomoda e quase sempre leva meus pensamentos às possibilidades de que seria ótimo se as crianças de hoje sentissem mais as coisas daquela época, ou vai ver as coisas simplesmente mudaram mesmo e eu sou apenas um tiozinho (até que descolado) propenso a ficar extremamente chato com esse TUDO IGUAL de hoje em dia. Que saco!

Priscyla Poll

Colunista Social, Escritora por amor, Historiadora interrompida, Fotógrafa Intermediária, Jornalista desde sempre, Autêntica, Maluca, Super Sincera. Decepcionando pessoas e Cometendo Erros, te desiludindo nas horas vagas.

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