I Love Paraisópolis Já era Love por Tuca Veira

I Love Paraisópolis Já era Love por Tuca Veira

Qual o valor da Fotografia?

Esquece a parte em que o fotógrafo, ao clicar, está capturando dois mil anos de história, não seria necessário ao verdadeiro sentimento que pode ser “apertar o botão” (muito mais simples que uma cacetada de teorias, ou mais complexo que todas elas), aliás, num mundo onde muitos o apertam sem a mínima preocupação com a sincronia entre o olhar, sentir, pensar e clicar, está cada vez mais fácil desconstruir o verdadeiro valor de uma fotografia profissional, mas, afinal, que valor é este?

Na estreia da minha coluna, escolhi falar sobre o fotógrafo Tuca Vieira, profissional desde 1991 é independente, desenvolve projetos envolvendo cidades, paisagem urbana, arquitetura e urbanismo. É ganhador de muitos prêmios, entusiasta de muitas exposições e também autor da conhecida “foto da favela de Paraisópolis”, é isso mesmo que você está pensando aí: “A favela que virou novela já tem fama por trás das lentes de Tuca e você possivelmente já deve ter visto ela em alguma mídia, não viu”? A foto foi tirada há cerca de dez anos para a Folha de S. Paulo e mudou a vida de Tuca, porém, como ele mesmo relaciona esta fotografia lhe fugiu de controle. Rodou o mundo, premiou, consagrou (por ora) e estranhamente desvinculou-se do artista, pois a essa altura todos conheciam a foto, mas o cara por de trás dela praticamente não existia.

Em 2007 foi mostrada na Tate Modern, em Londres,  uma exposição chamada Cidades Globais. Era o cartaz, o convite, o folder, o cartão-postal e até o crachá da exposição, que incluía gente como o fotógrafo alemão Andreas Gursky (mestre dos “dois olhares”). Tuca foi convidado, mas não tinha o status de artista, ficou em um hotel inferior aos outros e nem fora chamado para o jantar de comemoração, era ninguém e tudo ao mesmo tempo.

Aquela não foi uma fotografia de sorte dessas que muitos recebem, ela foi pensada, elaborada, trabalhada, composta e nada disso teve importância alguma dentro do verdadeiro contexto em que ela já estava inserida: ela se libertou do autor e do contexto original para enriquecer um debate sobre o Brasil, sobre a América Latina, sobre a desigualdade e possivelmente sobre milhões de interpretações intrapessoais para cada olhar, tal qual a objetividade na fotografia.

O verdadeiro objetivo de um artista talvez seja “apenas” provocar uma reflexão sobre o mundo e não sobre a obra e seu autor, mas é certo que esse raciocínio deve estar intimamente ligado à plenitude da alma, e pode ser um inferno.
“Às vezes essa foto me enche o saco”. Tenho projetos novos para mostrar, mas a cena de Paraisópolis com frequência ofusca outros trabalhos. Para alguém jovem como eu, é difícil falar em legado. Mas é um tema que me vem involuntariamente quando surge essa foto. Será que é isso que quero deixar para o futuro? Será que tudo mais que eu fizer nunca vai ter a importância dessa única foto?”, indaga o fotógrafo, pois eu lhe digo Tuca, serão poucos os criadores de arte que presenciarão a sua obra criando vida própria e saindo para um mundo de interpretações e sim, isso é a arte.

Priscyla Poll

Colunista Social, Escritora por amor, Historiadora interrompida, Fotógrafa Intermediária, Jornalista desde sempre, Autêntica, Maluca, Super Sincera. Decepcionando pessoas e Cometendo Erros, te desiludindo nas horas vagas.

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